Namoro
Namoro, tempo de conhecer e de escolher
Quando você vai comprar um sapato ou um vestido, não leva para casa o primeiro que experimenta, é claro. Você escolhe, escolhe... até gostar da cor, do modelo, do preço, e servir bem nos seus pés ou no seu corpo. Se você escolhe com tanto cuidado um simples sapato, uma calça, quanto mais cuidado você precisa ter ao escolher a pessoa que deve viver ao seu lado para sempre! Talvez você possa um dia mudar de casa, mudar de profissão, mudar de cidade, mas não poderá trocar de esposa ou de marido. É claro que você não vai escolher a futura esposa, ou o futuro marido, como se escolhe um sapato.
Já dizia o poeta que "com gente é diferente". Mas, no fundo será também uma criteriosa escolha. Se você quiser levar para casa o primeiro par de sapatos que você calçou, só porque o preço é bom, pode ser que você se arrependa depois quando perceber que não era de couro legítimo, mas sintético.
Se você escolher namorar aquela garota, só porque ela é "fácil", pode ser que você chore depois se ela o deixar por outro, fazendo o seu coração sangrar. Se você decidir levar aquele par de sapatos, só porque é bonito e está na moda, mesmo que aperte um pouco os seus pés, pode ser que depois você volte do baile com ele nas mãos porque não o agüenta mais nos pés. Se você escolher aquele rapaz só porque ele é um "gato", pode ser que amanhã ele faça você chorar quando se cansar de você.
O namoro é este belo tempo de saudável relacionamento entre os jovens, onde, conhecendo-se mutuamente, eles vão se descobrindo e fazendo "a grande escolha". Já ouvi alguém dizer, erradamente, que "o casamento é um tiro no escuro" ; isto é, não se sabe onde vai acertar; não se sabe se vai dar certo.
Isto acontece quando não há preparação para a união definitiva, quando não se leva a sério o amor pelo outro. A preparação para o seu casamento começa no namoro, quando você conhece o outro e verifica se há afinidade dele com você e com os seus valores. O casamento só é um "tiro no escuro", para aqueles que se casaram sem se conhecer, porque, então, namoraram mal. Se o seu namoro for sério, seu casamento não será um tiro no escuro, e nem uma roleta da sorte. O seu casamento vai começar num namoro.
É claro que a primeira exigência tem que ser a reta intenção sua e do outro, mesmo que ninguém esteja pensando ainda em noivado. Não brinque com o namoro, não faça dele apenas um passa – tempo, ou uma "gostosa" aventura; você estaria brincando com a sua vida e com a vida do outro. Só comece a namorar quando você souber porque vai namorar. Mais importante do que a idade para começar a namorar, 15 anos, 17 anos, 22 anos, é a sua maturidade. A idade em que você deve começar a namorar é aquela na qual você já pensa no casamento, com seriedade, mesmo que ele esteja ainda longe. Para que você possa fazer bem uma escolha, é preciso que saiba antes o que você quer. Sem isto a escolha fica difícil.
Não é verdade que quando você sai para comprar um sapato, já sabe qual é a cor que prefere, o modelo e o preço adequado ao seu bolso? Que tipo de rapaz você quer? Que qualidades a sua namorada deve ter? O que você espera dele ou dela? Esta premissa é fundamental. Se você não sabe o que quer, acaba levando qualquer um ... só porque caiu na sua frente. Os valores do seu namorado devem ser os mesmos valores seus, senão, não haverá encontro de almas. Se você é religiosa e quer viver segundo a Lei de Deus, como namorar um rapaz que não quer nada disso? É preciso ser coerente com você. Não basta que o sapato seja bonito, tem que servir nos seus pés.
Se você tem uma boa família, seus pais se amam, seus irmãos estão juntos, então será difícil construir a vida com alguém que não tem um lar e não dá importância para o valor da família. Quem não experimentou o calor de um lar não sabe dar valor para a família. Será difícil construir uma família junto com alguém que não entende a sua importância. As leis de Deus e da Igreja são exigentes e determinam o nosso comportamento. Será impossível vivê-las se o outro não os aceita. Tenho encontrado muitos casais de namorados e de casados que vivem uma dicotomia nas suas vidas religiosas; e isto é motivo de desentendimento entre eles. Há jovens que pensam assim: "eu sou religiosa e ele não; mas, com o tempo eu o levo para Deus".
Isto não é impossível; e tenho visto acontecer muitas vezes. No entanto, não é fácil. E a conversão da pessoa não basta que seja aparente e superficial; há que ser profunda, para que possa satisfazer os seus anseios religiosos. Não se esqueça que a religião é um fator determinante na educação dos filhos, para aqueles que a prezam. Não tenho dúvida de dizer a você que não renuncie aos seus valores na escolha do outro. Se é lícito você tentar adequar-se às exigências do outro, por outro lado, não é lícito você matar os seus valores essenciais para não perdê-lo.
Não sacrifique o que você é, para conquistar alguém. Há coisas secundárias dos quais podemos abdicar, sem comprometer a estrutura básica da vida, mas há valores essenciais que não podem ser sacrificados. Você poderá aceitar uma vida mais simples e mais pobre do que aquela que você tinha na sua família, ou poderá viver numa outra cidade que não é a que você gostaria, etc. São preferências periféricas, que são superadas pelo amor que o outro dedica a você. Mas aquilo que é essencial, não pode ser abdicado. Já vi muitas moças cristãs aceitarem um namoro com alguém divorciado, por medo de ficarem sós. É melhor ficar só, do que violar a Lei de Deus; pois ninguém pode ser plenamente feliz se não cumpre a vontade dAquele que nos criou. Portanto, saiba o que você quer, e saiba conquistá-lo sem se render. Não se faça de cego, nem de surdo, e nem de desentendido.
Para que você possa chegar um dia ao altar, você terá que escolher a pessoa amada; e, para isto é fundamental conhecê-la. O namoro é o tempo de conhecer o outro. Mais por dentro do que por fora. E para conhecer o outro é preciso que ele "se revele", se mostre. A recíproca é verdadeira. Saiba que cada um de vocês é um mistério, desconhecido para o outro. E o namoro é o tempo de revelar (= tirar o véu) esse mistério. Cada um veio de uma família diferente, recebeu valores próprios dos pais, foi educado de maneira diferente e viveu experiências próprias, cultivando hábitos e valores distintos.
Tudo isto vai ter que ser posto em comum, reciprocamente, para que cada um conheça a "história " do outro. Há que revelar o mistério! Se você não se revelar, ele não vai conhecê-la, pois este mistério que é você, é como uma caixa bem fechada e que só tem chave por dentro. É a sua intimidade que vai ser mostrada ao outro, nos limites e na proporção que o relacionamento for aumentando e se firmando. É claro que você não vai mostrar ao seu namorado, no primeiro dia de namoro, todos os seus defeitos.
Isto será feito devagar, na medida que o amor entre ambos se fortalecer. Mas há algo muito importante nesta revelação própria de cada um ao outro: é a verdade e a autenticidade. Seja autêntico, e não minta. Seja aquilo que você é, sem disfarces e fingimentos mostre ao outro, lentamente, a sua realidade. Não faça jamais como aquele rapaz que, querendo conquistar uma bela garota, garantiu-lhe que o pai tinha um belo carro importado...; mas quando ela foi conferir havia só um velhofusca na garagem.
A mentira destrói tudo, e principalmente o relacionamento. Mas para que você faça uma boa comunicação de você mesmo é preciso que tenha autocrítica e auto aceitação. Só depois é que você pode se revelar claramente. É preciso coragem para fazer esta auto análise e se conhecer, para se revelar. Não tenha vergonha da sua realidade, dos seus pais, da sua casa, dos seus irmãos, etc.
Se o outro não aceitar a sua realidade, e deixá-lo por causa dela, fique tranquilo, esta pessoa não era para você, não o amava. Uma qualidade essencial do verdadeiro amor é aceitar a realidade do outro. O amor pelo outro cresce na medida que você o conhece melhor. Não se ama alguém que não se conhece. Não fique cego diante do outro por causa do brilho da sua beleza, da sua posição social ou do seu dinheiro. Isto impediria você de conhecê-lo interiormente e verdadeiramente.
Lembre-se de uma coisa, aquilo que dizia Saint Exupéry: "o importante é invisível aos olhos". "Só se vê bem com o coração". São Paulo nos lembra que o que é material é terreno e passageiro, mas o que é espiritual é eterno. Tudo o que você vê e toca pode ser destruído pelo tempo, mas o que é invisível aos olhos está apegado ao ser da pessoa e nada pode destruir.
Esse é o seu verdadeiro valor. O carro que ele tem hoje, amanhã pode não ter mais. A beleza do corpo dela hoje, amanhã não existirá mais quando o tempo passar, os filhos crescerem...
Mas aquilo que está no "ser" dele ou dela, ficará sempre, e é isto que dará estabilidade ao casamentoe garantirá a felicidade duradoura de você, da família e dos filhos. Portanto, conheça a "história" e o "coração" da pessoa que está hoje ao seu lado. Quem ele é? Logo que a criança entra na escola e aprende a ler, já começa a estudar a história do Brasil. É para que ela conheça o Brasil; e conhecendo-o, compreenda-o, ame-o, ajude-o... O mesmo se dá entre as pessoas. Quando você mergulha na história do outro, conhece os seus dramas e os fatos que a determinaram, então você o compreende melhor e tem mais motivações para compreendê-lo, tem mais paciência para ouvi-lo, perdoá-lo e ajudá-lo.
Aí está o segredo de um relacionamento profundo e que propicia um conhecimento interior adequado de ambas as partes. E aqui você percebe porque é importante que o relacionamento seja maduro; cada um vai expor ao outro o seu coração, as suas reservas mais secretas. É por isso que o namoro não pode ser uma brincadeira sem qualquer responsabilidade. Você precisa saber guardar as confidências do outro, mesmo amanhã se o namoro terminar. Há coisas que temos de ter a grandeza de levar para o túmulo conosco, sem revelar a ninguém. Quando alguém abre-lhe o coração está depositando toda a confiança em você, e espera não ser traído. Portanto, cuidado com o que você conta a terceiros sobre o seu namoro; nem tudo poderá ser contado aos outros. Você não gostaria que ele revelasse aos outros as sua confidências, então não revele as confidências dele.
Jesus nos manda não fazer aos outros aquilo que não queremos que seja feito conosco. É uma regra de ouro. Quando conhecemos o interior de uma caverna vemos coisas belas, mas outras assustadoras. Há belos lagos escondidos, com águas cristalinas, e formações calcáreas bonitas; mas há também cantos escuros com morcegos e outros bichos. Nem por isso a caverna deixa de ser atraente e rica. Da mesma forma a pessoa que está a seu lado. No seu interior há belas passagens, mas pode haver também recantos escuros. Saiba valorizar o que há de belo no interior da pessoa, antes de deter-se nos seus pontos escuros.
Saiba ver no outro, primeiro o que ele tem de bom, e só depois encare o seu lado difícil. Saiba elogiar e fazer crescer o que há de bom, e cure com carinho as feridas que precisam ser tratadas. Isto mostra-nos que não há o chamado "amor a primeira vista". O amor não é um ato de um momento, mas se constrói "a cada momento". Não se pode conhecer uma pessoa "à primeira vista", é preciso todo um relacionamento. Só o tempo poderá mostrar se um namoro deve continuar ou terminar, quando cada um poderá conhecer o interior do outro, e então, puder avaliar se há nele as exigências fundamentais que você fixou.
Um indício de que o relacionamento começou bem é a ausência de brigas e desentendimentos, por pequenas coisas sobretudo. Se nesta fase feliz do namoro, onde as preocupações de cada um são poucas, já existem muitas brigas, creio que isto seja um sinal de que a coisa não vai bem. Não há que se ter escrúpulos para terminar um namoro; basta que haja sinceridade e delicadeza para que o seu término não deixe feridas em cada um. Eis aqui uma questão importante; você não pode criar uma esperança vazia no outro, levá-lo às alturas nos seus sonhos, e depois, de repente, jogar tudo no chão. Seria uma covardia!
Não brinque com os sentimentos e com a vida do outro, da mesma forma que você não quer que faça assim com a sua. Não alimente no outro esperança falsa. É válido tentar prolongar um pouco aquele namoro difícil, para tentar ainda um discernimento melhor; mas você não deve iludir o outro nem um dia a mais, se chegou à conclusão que não é com esta pessoa que você vai poder construir uma vida a dois.
É melhor ter a coragem de terminar hoje um namoro que não vai bem, do que chorar amanhã por ter perdido o tempo em um relacionamento infrutuoso. O tempo de namoro é também o tempo de conhecer a família do outro. Conhecer a família é imprescindível para você conhecer a história da pessoa, já que ela é seu fruto. Em todas as famílias há valores próprios, denominadores comuns, frutos da cultura familiar e da educação, isto que o povo chama de "berço". Ali você encontrará valores e desvalores; e saiba que o seu namorado vai trazê-los para o relacionamento com você. Isto é certo.
Portanto, para conhecer bem e poder escolher bem, você terá que olhar "de olhos abertos" a realidade familiar do outro que se põe diante de você; não para discriminar, mas para conhecer. É um grave engano pensar que você vai namorar, e quem sabe casar-se com ele ou com ela, e não com a sua família; e que portanto, a sua família não importa. A voz do sangue fala muito forte em todos nós; e, se não soubermos lidar com ela, muitos estragos podem acontecer. Não se assuste com aquilo que você não gostar na família dele; aceite a sua realidade, e não a condene. Saiba discernir com sabedoria e coragem se nesta realidade que você encontrou há aqueles valores mínimos que você já fixou para a sua vida. Não feche os olhos para a realidade da família do outro, para que você possa conhecê-lo. Saiba que nunca você vai encontrar uma família ideal, mas procure conhecê-la, para conhecer quem está com você. Conhecendo a família dele você vai conhecer muito daquilo que está no seu interior. Toda família tem uma série de valores e também de problemas. Você terá que avaliar também isto para chegar ao discernimento sobre o seu namoro.
Não se trata de "julgar" a família do outro, e muito menos de menosprezá-la; mas você tem o direito de construir a sua vida e a sua família sobre valores que lhe são caros. É verdade que mesmo de famílias complicadas, e às vezes até destruídas, podem sair belas criaturas, mas saiba que isto não é a regra geral. O normal é que as pessoas bem formadas estejam nas famílias que se prezam. Tudo isto é importante para que o seu casamento, no futuro, não seja "um tiro no escuro". O importante é ter os olhos abertos e não se fazer de cego. O coração não pode cegar o espírito. Não deixe de ouvir a opinião de seus pais. Muitos namoros e casamentos foram mal porque os jovens não quiseram ouvir os pais. Eles são experientes, e amam você, de verdade. Não se faça de surdo às suas advertências. Eles conhecem os perigos da vida muito melhor do que você.
Para você meditar:
"LEMBRA-TE, SENHOR ..."
"Lembra -Te, Senhor de que sou Tua criatura. Lembra - Te de que me fizeste nascer para a vida. Eu não existia e Tu me concebeste em Tua mente. Tu me tiraste do nada, e me deste a graça de responder-Te: eu existo. Pela Tua secreta providência, Tu me guiaste, pela estrada da minha existência. Dispuseste as etapas da minha caminhada. De longe me chamaste a fim de que de perto eu Te responda. Foi assim que comecei a existir, criatura de Tuas mãos, argila disforme e imagem do Teu semblante.
Restaura-me à Tua semelhança, ó Senhor, sem me julgar se eu a esqueci. Sou frágil em Tuas mãos poderosas, minha fraqueza é o sinal da Tua soberania. Mas as Tuas mãos são suaves, suaves mesmo quando me põem à prova. Tuas mãos aliviam e sustentam. Tuas mãos castigam e vivificam. Eu lhes entregarei a minha vida. O dom que Tu me deste, eu confiarei a Ti. Lá onde nada se perde, eu perderei o meu ser. Em Ti, ó Senhor, o meu princípio e o meu fim." SEJA! Se você não puder ser um pinheiro no topo de uma colina, Seja um arbusto no vale. Mas seja o melhor arbusto à margem do regato. Seja um ramo, se não puder ser uma árvore. Se não puder ser um ramo, seja um pouco de relva E dê alegria a algum caminho.
Se você não puder ser almíscar, seja então apenas uma tília. Mas a tília mais viva do lago ! Não podemos ser todos capitães; temos de ser tripulação. Há alguma coisa para todos nós aqui. Há grandes obras e outras menores a realizar, E é a próxima tarefa que devemos empreender. Se você não puder ser uma estrada, seja uma senda. Se não puder ser o sol, seja uma estrela. Não é pelo tamanho que terá êxito ou fracasso. Mas seja o melhor do que quer que você seja !
O que é namorar?
O namoro é dinâmico como a própria vida das pessoas. Hoje a liberdade é enorme quando se fala desse assunto, o que, aliás, torna-se ocasião para muitos desvirtuamentos em termos de namoro. Coisas que para a geração anterior era impensável, hoje tornou-se comum entre os jovens; por exemplo, viajar juntos sem os pais; dormirem na mesma casa, etc. Se por um lado esta liberação pode até facilitar a maturidade dos jovens namorados, não há como negar que é uma oportunidade imensa para que o relacionamento deles ultrapasse os limites de namorados e precipite a vida sexual.
Lamentavelmente tornou-se comum entre os casais de namorados a vida sexual, inadequada nesta fase. O namoro, como já mostramos, é o tempo de conhecer o outro, escolher o parceiro com quem a vida será vivida até a morte, e é o tempo de crescimento a dois. Tudo isto será vivido através de um diálogo rico dos dois, pelo qual cada um vai se revelando ao outro, trocando as suas experiências e as suas riquezas interiores, e assim, começa a construção recíproca de cada um, o que continuará após o casamento. O namoro é acima de tudo o encontro de duas pessoas, capazes de pensar, refletir, cantar, sonhar, sorrir e chorar. O mar é belo e imenso, mas não sabe disso; a terra é bela e rica, mas não sabe disso; o pássaro é belo e não sabe disso. Você é bela, inteligente, livre, dotada de vontade e de consciência; e você sabe disso. Você não é um objeto; é uma pessoa, Um ser espiritual e psíquico. O namoro implica no reconhecimento da “pessoa” do outro, a sua aceitação e a comunicação com ela. É diferente conhecer uma pessoa e conhecer um objeto. O objeto é frio, a pessoa é um “mistério” ; não pode ser entendida só pela inteligência, pois a sua realidade interior é muito mais rica do que a idéia que fazemos dela pelas aparências. Você só poderá conhecer a pessoa pelo coração e pela revelação que ela faz de si mesma a você. No objeto vale a quantidade, o peso, o tamanho; a forma, o gosto; na pessoa vale a qualidade. O objeto é um problema a ser resolvido, a pessoa é mistério a ser revelado e compreendido. Saiba que você está diante de uma pessoa que é única (indivíduo), insubstituível, original, distinta de todos os outros... Alguém já disse que cada pessoa é “uma palavra de Deus que não se repete”. Não fomos feitos numa fôrma. No namoro você terá que respeitar essa “individualidade” do outro, para não sufocá-lo. Muitas crises surgem porque ambos não se respeitam como pessoas e únicos. É por isso que as comparações e os padrões rígidos podem ser prejudiciais. Você não pode querer que a sua namorada seja igual àquela moça que você conhece e admira; o seu namorado não tem que ser igual ao seu pai... Cada um é um. A liberdade é uma condição essencial da pessoa. Sem liberdade não há pessoa.
É no encontro com o outro que a pessoa se realiza; e aqui está a beleza do namoro vivido corretamente. Ele leva você a abrir-se ao outro. A partir daí você deixa de ser criança e começa a tornar-se adulto; porque já não olha só para si mesmo. O namoro é esse tempo bonito de inter-comunicação entre duas almas. Mas toda revelação implica num comprometimento de ambos e num engajamento de vidas. “Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”, disse o Pequeno Príncipe. Você se torna responsável por aquele que se revela a você do mais íntimo do seu ser. Cuidado, portanto, para não “coisificar” a sua namorada. Às vezes essa coisificação do outro se torna até meio inconsciente hoje. Ela acontece, por exemplo, quando o noivo proíbe a noiva de usar batom, ou a proíbe de cortar os cabelos. O marido “coisifica” a esposa quando a obriga a ter uma relação sexual com ele, quando não a permite participar das “suas” decisões financeiras; quando proíbe que ela possa ter alguma atividade na Igreja, etc. O namorado “coisifica” a namorada quando faz chantagens emocionais com ela para conseguir o que quer. A namorada “coisifica” o namorado quando o sufoca fazendo-o ficar o tempo todo do seu lado, sem que o rapaz possa fazer outros programas com os amigos. O pai coisifica o filho quando o submete a si como se fosse um escravo... Não faça do outro um objeto, e não deixe que o relacionamento de vocês se torne numa “dominação do outro”, mas um “encontro” entre ambos. Nem Deus tira a nossa liberdade; Ele a respeita, pois sem isto seríamos marionetes, robôs, e não pessoas. Ainda que o homem se ponha contra Ele – como acontece tanto! – ainda assim Ele o ama, e nunca trata-o como um objeto. Coisificamos o outro quando o usamos; isto é triste. O namoro é o tempo da “descoberta”, do outro. E isso se faz pelo diálogo, que é o alimento do amor. Há muitos desencontros porque falta o diálogo.
Namorar é dialogar! O diálogo é mais do que uma conversa; é um encontro de almas em busca do conhecimento e do crescimento mútuo. Sem um bom diálogo não há um namoro feliz e bonito. É pelo diálogo que o casal ´ seja de namorados ou cônjuges – aprende a se conhecer, ajudam-se mutuamente a corrigir as suas falhas, vencem as dificuldades, cultivam o amor, se aperfeiçoam e se unem cada vez mais. Os namorados que sabem dialogar sabem escolher bem a pessoa adequada, fazendo uma escolha com lucidez e conhecimento maduro. Sem diálogo o casal não cresce, e o namoro não evolui, porque cada um fica trancado e isolado com os seus próprios problemas. Sem ele o casal pode cair na “crise do silêncio”, ou apenas trocar palavras vazias, ou ainda, o que é pior, discutir e brigar. Por falta do diálogo, muitas vezes, cada um leva a “sua” vida e ignora o outro; ora, isto não é vida a dois, nem preparação para o casamento. São muitas as dificuldades para o diálogo, mas há também muitos pontos que o favorecem. Vamos examiná-los. Muitos não conseguem dialogar porque não estavam habituados a isto antes do namoro. Pode ser que tenha vindo de uma família que não tinha esse hábito. Neste caso, será preciso ter a intenção de dialogar, romper o mutismo e abrir-se. Também o orgulho, o medo de reconhecer os próprios erros, o não querer “dar o braço a torcer”, a vaidade de querer sempre ter razão, bloqueiam o diálogo. A falta de tempo, o trabalho em demasia, a televisão, o jornal, a revista, a internet, podem prejudicar o diálogo; se não forem dosados... Há também os condicionamentos de infância; às vezes a autoridade excessiva dos pais, a falta de liberdade para expressar as próprias idéias e opiniões; a super proteção que sufocou o espírito de iniciativa; a falta de participação nas soluções dos problemas familiares; tudo isto dificulta o diálogo. Portanto, será preciso esforço, vontade de vencer-se e acertar. Para haver diálogo você precisa aprender a ouvir o outro; ter paciência para entender o que ele quer dizer, e, só depois, concordar ou discordar. Seja paciente, não corte a palavra do outro antes dele completá-la. Lembre-se, diálogo não é discussão. É preferível “perder” uma discussão do que dominar o outro. Dialogar é acolher o outro com o coração disponível. É aprender a “olhar” o outro, conhecer sua vida profissional, familiar, seus gostos, suas aspirações, dificuldades, lutas... com respeito e atenção. Deixe que o outro tenha “entrada franca” no coração. Não ponha “cães de guarda” nas portas do seu palácio interior pois o outro pode ficar com medo de entrar. Quem são esses cães? O seu orgulho refinado, sutil, mas que esnoba e subjuga o outro... O seu egoísmo que chama tudo sempre para você. A inveja do sucesso do outro, que o impede de crescer. A sua ironia que faz pouco caso do que ele está dizendo... A sua estupidez e grosseria que magoam o outro... São esses – e muitos outros – os “cães de guarda” que pomos à porta do coração. Às vezes ela ou ele vai embora dizendo: “Não tive coragem de entrar... tive medo que ele risse de mim... que não me compreendesse... tive medo de ser ridícula”. Não deixe que ele fique te esperando tanto até desanimar. Para que você possa acolher o outro é preciso despojar-se de si mesmo, estar disponível. É preciso que você aceite criar este vazio no seu interior para que o outro possa ocupá-lo. É preciso fazer silêncio em você, para poder ouvir e entender a voz do outro. Só assim você será atencioso com ela; e então o diálogo acontecerá. Saiba sorrir para o outro; não custa nada e ilumina tanto!... Saiba fazer silêncio... As palavras são os veículos da alma que se exprime, desabafa e se acalma. Aprenda a escutar o seu namorado atenciosamente; preste-lhe esta homenagem. Saiba falar mais daquilo que lhe interessa, do que aquilo que interessa a você.
Não fique pensando em você enquanto o outro fala, pense nele. Há um escrito que diz assim: As cinco palavras mais importantes são: “Estou muito satisfeito com você” As quatro palavras mais importantes: “Qual a sua opinião?” As três palavras mais importantes: “Faça o favor”. As duas palavras mais importantes: “Muito obrigado” A palavra menos importante: ´EU´! Enquanto você estiver dominado pela vontade de falar de si mesmo, é porque ainda não está apto a acolher o outro. Entretanto, não arranque o outro do seu silêncio à força; respeito-o, e aos poucos, ajude-o a falar. Não devasse a sua intimidade. Você está vendo que o namoro é como uma escola, um educandário do amor; por isso é belo e rico. Vá interrogando-o com suavidade sobre a sua vida, as suas preocupações, o seu passado, a sua família, a escola, etc. ... Deixe-o dizer tudo o que ele quiser, e não fique com aquele olhar distante, longe, nas nuvens... O diálogo exige gratuidade. Se você estiver nervoso, preocupado, irritado e de mau humor, então, pegue tudo isto e entregue a Deus, na fé, para estar disponível. O mau humor, a lamúria, a constante reclamação, são venenos mortais para o diálogo e o relacionamento. Sorria, ainda que o seu coração esteja chorando, por amor; isto não é fingimento. Saiba caminhar em direção ao outro, estenda-lhe a mão para ajudá-lo a entrar em você. Se ele vier a você cheio de problemas e angústias, não tenha pressa em querer dar-lhe a solução mágica para as suas dores. Não, apenas deixe que ele se esvazie; deixe-o falar; só depois, quando ele tiver “posto tudo para fora”, só então, você lhe dirá uma palavra amiga, e de conforto. Quando o médico vai tratar um tumor, primeiro deixa-o vazar completamente, tira todo o material infeccioso, só depois coloca o remédio. Assim também ocorre com as “infecções da alma”; primeiro é preciso esvaziá-la, para depois curá-las. A grande necessidade das pessoas hoje é ter alguém que as ouça com tempo e disponibilidade.
Não será o namoro uma bela oportunidade também para isso? Se você quiser que o seu namorado abra-lhe a alma, e se revele do fundo do seu ser, então saiba ser receptiva, silenciosa, discreta...Então você ouvirá muitas confidências, e ele irá embora aliviado e crescido. A experiência tem me mostrado que a maioria das pessoas que nos procuram para resolver os seus problemas, mais do que conselhos, querem desabafar uma angústia que está no coração. E quando você se dispõe a ouvi-las com atenção e carinho, elas vão se acalmando e encontrando o remédio que precisam, sem que às vezes a gente não diga nada. É a necessidade da alma humana de desabafar. Portanto, saiba que o que o outro mais precisa no diálogo é da sua atenção esmerada. Não seja aéreo enquanto o outro fala, esqueça de você mesmo neste instante. Dialogar não é discutir. Na discussão gasta-se muita energia, irrita-se e chega-se ao nervosismo que não leva a nada, ao contrário, só destrói o relacionamento. O diálogo conduz ao amor; a discussão leva à briga. Eis a diferença. Na discussão cada um ´cheio de si mesmo´ se acha o dono da verdade e da razão, e não abre mão disso. É o orgulho que impera. No diálogo ambos procuram a verdade juntos, não se acham cheios de razão, e não se preocupam com quem ela está. Na discussão são pessoas que se exibem querendo vencer a outra; no diálogo, são argumentos e idéias que são apresentadas. A discussão é uma luta entre dois egos orgulhosos; o diálogo é o encontro de duas almas queridas. Entendeu a diferença? Na discussão um quer arrasar os argumentos e idéias do outro, e desmoralizar os seus raciocínios, já no diálogo cada um se esforça para compreender os argumentos e idéias do outro, ao invés de atacá-los apressadamente. Quando você discute, já dá a resposta antes mesmo que o outro termine de falar o que queria expor; no diálogo, você quer que ele repita o que disse para que você possa entendê-lo melhor. Há um sabor mórbido em arrasar o outro numa discussão.
É próprio dos adversários quando se encontram; não de namorados que se amam e querem construir-se mutuamente. O que você pode lucrar em “dobrar” o outro numa discussão. Nada, a não ser um pouco mais de orgulho e de arrogância! Além disso você deixa o outro ferido e magoado, mais longe de você... talvez até com mágoa e ressentimento, e com ódio no coração. A discussão termina com um vencido e um vencedor, como se fosse uma guerra. Será que isto deve acontecer entre duas pessoas que se amam? O diálogo autêntico e necessário no namoro, não admite portanto, palavras, expressões ou gestos que humilhem o outro, ou que demonstrem pouco caso, cinismo, soberba, arrogância, prepotência... “Você tem um raciocínio de criança imatura!” “Sua argumentação está toda vazia e furada!” “Você parece louca, no mundo da lua!” “Acho que você está precisando de um psiquiatra!” “Será que você não vai crescer nunca?” “Até quando você vai continuar com este seu jeito de bebê chorão?” Expressões desse tipo ferem e magoam; e exigem que se peça perdão. Ao contrário são expressões do tipo: “Você fez algo importante!” “Sua opinião é muito importante!” “Esta palavra que você disse, me fez feliz”. “A minha vida é melhor porque você está a meu lado...” E tudo isso pode e deve ser dito sem fingimento ou bajulação, sem a preocupação de entrar numa arena de disputa, mas num coração para amar. Enfim, na discussão você está diante de um adversário a ser vencido; no diálogo, você está diante de uma pessoa a ser construída pelo amor. No entanto, se a conversa se transformar numa discussão, há uma saída nobre: deixe que o outro “vença” para que ela acabe o mais rápido possível. Perder nesta “guerra” será uma vitória do amor. No diálogo, deve-se começar sempre observando o lado positivo das coisas e dos acontecimentos, e não se deixar derrotar pelo pessimismo que só vê o lado negativo. Lembre-se que tanto o pessimismo quanto o otimismo contagiam facilmente as pessoas, com a diferença que o otimismo eleva os ânimos. Outra coisa importante no diálogo, é que você se expresse numa linguagem que o outro o entenda, sobre um assunto que compreenda. Você não pode dar um bife a um recém nascido; e não pode dar uma feijoada a um velho doente. Se a diferença de cultura existir entre o casal, então cada um precisa se esforçar para levar o outro a compreendê-lo. E esta será mais uma tarefa do amor. Mesmo a diferença cultural e científica pode ser superada pelo diálogo e pelo amor. É importante dizer que o compromisso de cada um, mais do que consigo mesmo, deve ser com a verdade. Se, como fruto do diálogo, você perceber que a verdade é diferente do que você pensava, então, por coerência, saiba aceitar a opinião do outro. Isto jamais será uma derrota sua, antes, uma vitória de ambos.
Numa discussão ninguém muda de opinião, pois o orgulho não permite. No diálogo, vence a verdade, surge a luz, reina a paz. Talvez agora você esteja começando a entender porque o diálogo autêntico é o instrumento indispensável para que você possa descobrir as riquezas que estão escondidas no interior da pessoa que você ama. Tudo que se faz de bom exige sacrifícios e tem um preço. Para que o casal cresça no namoro, têm que pagar o preço da renúncia ao próprio ego soberbo e arrogante, prepotente e asqueroso, exibicionista ou cheio de amor próprio. No diálogo, preocupe-se em procurar e apresentar “a “ verdade, mas não a “sua” verdade. Não podemos ser donos da verdade; ela é autônoma, não depende de nós. Só Jesus é a Verdade; todas as outras dependem dele. Se o assunto é, por exemplo, a doença, a verdade não está comigo e nem com você, está com quem entende de medicina. Se o assunto é religião, a verdade está com a Igreja, e não com o que eu acho ou com o que você pensa. E assim por diante. A verdade é objetiva. Não podemos nos perder em raciocínios vazios e devaneios subjetivos que nos afastam da verdade subjetiva e da responsabilidade. Namorar é isto! Na medida que o tempo for passando, o diálogo for amadurecendo, e o namoro for se firmando, então será necessário conversar sobre as coisas do futuro, para se saber quais as aspirações que cada um traz no coração, e se elas se coadunam mutuamente. Não se trata de ficar sonhando no vazio sobre o futuro, mas de começar a escolher e a preparar a vida que ambos vão viver e construir amanhã: a família, os filhos, etc. Nada de real se faz nesta vida sem um sonho, um projeto, um plano e uma construção. Se de um lado, sonhar no vazio é uma doce ilusão, refletir sobre o que se quer construir no futuro é uma necessidade. É assim que nasce um lar.
O que é amar?
O namoro é um aprendizado do amor. Fomos criados para viver o amor. Sem ele o homem e a mulher não podem ser felizes. Mas, afinal, o que é amar? O que leva muitos casamentos ao fracasso é a noção falsa que se tem do amor hoje. Há no ar uma “caricatura” do amor. Se eu lhe der uma nota de cem reais falsa, você não aceitará, pois ela não vale nada, e você ainda poderia ser incriminado por causa dela. Se você construir uma casa usando cimento falsificado, cuidado por que ela poderá desabar sobre a sua cabeça. Se você levar para o casamento um amor falso, ele certamente desabará, pois o “cimento” da união é o amor. Para mostrar bem claro o que é amar, vamos iniciar mostrando o que não é amar. Amor não egoísmo; isto é, preferência por mim, mas pelo outro. Se você come uma fruta com gosto, não pode dizer que a ama. Se você treme de paixão diante de uma menina, e lhe diz : “eu te amo”, esteja certo de que você está mentindo, pois esta tremedeira é sinal de que você quer saciar o seu ego desejoso de prazer. Isto não é amor, é paixão carnal, é egoísmo. Se você está encantada com a beleza dele e se desdobra em declarar o seu amor por ele, saiba que isto também não é ainda amor, pois amor não é pura emoção ou sentimento.
Amar é muito mais do que isso, pois não é satisfazer a si mesmo, mas ao outro. Quando você disser a alguém “eu te amo”, esteja certo de que você não quer a sua própria satisfação ou felicidade, mas a do outro. Cuidado com as “caricaturas” do amor porque são falsas, e não podem fazer a felicidade do casal. Todo jovem tem sede de amar, mas muitas vezes o seu amor é mascarado e se apresenta falso e perigoso. Amar não é apoderar´se do outro para satisfazer´se; é o contrário, é dar´se ao outro para completá´lo. E para isto é preciso que você se renuncie, se esqueça. Você corre o risco de, insatisfeito, querer apaixonadamente agarrar aquilo que lhe falta; e isto não é amar. Assim o amor morre nas suas mãos. Você só começará a compreender o que é amar, quando a sua vontade de fazer o bem ao outro for maior do que a sua necessidade de tomá´lo só para si, para satisfazer´se. São precisos oito anos para formar um médico, dez anos para se defender uma tese de doutorado. Para amar de verdade, será preciso uma longa preparação, porque somos egoístas. Sabemos, que a pressa é inimiga da perfeição. Há um provérbio chinês que ensina que tudo aquilo que quisermos construir sem contar com o tempo, ele mesmo se incumbe de destruir. Se você pintar uma parede que ainda está molhada, vai perder o serviço e a tinta. Se você tirar a comida do fogo antes de cozinhá´la, você vai comê´la ainda crua. Se você não aprender de verdade a amar, poderá construir um lar oscilante e de paredes frágeis, que poderão não suportar o peso do telhado.
As paixões sensíveis da adolescência não são o autêntico amor, mas a perturbação de um jovem que encontra diante de si os encantos e a novidade da masculinidade ou da feminilidade. É fácil entender que aqueles que quiserem construir um lar sobre este chão de emoções, estarão construindo uma casa sobre a areia. Muitos casamentos desabaram porque foram realizados “às cegas”, sem preparação para que houvesse harmonia, sem o aprendizado do amor. Amar é dar´se, ensina´nos Michel Quoist. É dar a si mesmo ao outro para completá´lo e construí´lo. Mas para que você possa verdadeiramente dar´se a alguém, você precisa primeiro “possuir´se”. Ninguém pode dar o que não possui. Se você não se possui, se não tem o domínio de si mesmo, como, então, você quer dar´se a alguém? Como você quer amar? A aspiração mais profunda do homem é amar, é a sua “razão de ser” ; mas há muitos mal´entendidos sobre o amor. O amor é hoje uma palavra tão mal usada, tão gasta, que é preciso ser redefinida para ser autêntica. O maior engano que existe hoje sobre o amor, é que, na maioria das vezes, quando alguém fala que está amando, na verdade está amando a si mesmo. Isto não é amor; é egoísmo. Há muitas “miragens” do amor.
Se o seu coração bate acelerado diante de alguém que o atrai, isto é sensibilidade, não chame ainda de amor. Se você perdeu o controle e se entregou a ele, isto é fraqueza, não chame isto ainda de amor. Se você está encantada com a cultura dele, fascinada pela sua bela carreira, e já não consegue mais ficar sem a conversa dele, isto é admiração, ainda não é amor. Mesmo que você esteja até às lágrimas, diante de um fato chocante, isto é mais sensibilidade do que amor. Amar não é “ser fisgado” por alguém, “possuir” alguém, ou ter afeição sensível por ele, ou mesmo render´se a alguém. Amar é, livre e conscientemente, dar´se a alguém para completá´lo e construí´lo. E isto é mais do que um impulso sensível do coração; é uma decisão da razão. Por isso, amar é um longo aprendizado, não é uma aventura como a maioria pensa. Não se aprende a amar trocando a cada dia de parceiro, mas aprendendo a respeitar o mesmo, tanto no corpo quanto na alma. Amar é uma decisão. E a decisão não é tomada apenas com o coração, empurrado pela sensibilidade. A decisão é tomada com a razão. Amar não é um ato intuitivo, mecânico, é uma decisão livre e consciente. É um ato da vontade, do querer. Para amar é preciso aceitar “perder´se”, esquecer´se, não voltar a si mesmo. É claro que a sensibilidade ajuda você sair de si mesmo, mas ela não é suficiente para levá´lo a amar. A admiração pelo outro, a afeição, empurram você para ele, mas isto ainda não é amor. Lembre´se, o amor é como uma via de mão única, que sai de você e vai até o outro. Esta é a verdadeira avenida do amor.
É preciso estar sempre atento para não andar na contramão nesta avenida. Isto ocorre quando você está pensando só em você mesmo, se apossando das coisas ou da pessoa do outro, para satisfazer´se. São João Bosco, o grande educador dos jovens, ensinava´lhes que “Deus nos colocou neste mundo para os outros”. É o sentido da vida. É o amor! Não existe outra maneira de ser verdadeiramente feliz. A felicidade verdadeira se constrói quando fazemos o outro feliz; quando amamos. Ela é o prêmio da virtude. E a virtude que gera o verdadeiro amor é a renúncia a si mesmo. Quando você agarra um objeto ou uma pessoa só para você, o amor morre em suas mãos; pois o apego é o oposto do amor. Você precisa ter a coragem de examinar a autenticidade do seu amor. Quando quisermos saber se estamos amando de fato, façamos então estas perguntas a nós mesmos: estou me renunciando? Estou esquecendo´me? Estou dando´me? Se a resposta for afirmativa, esteja certo da presença do amor em sua vida. Muito mais do que dar coisas, presentes, abraços, beijos, amar é dar de si mesmo, integralmente, desinteressadamente. Você precisa desenvolver bem os seus talentos exatamente para que possa dá´los aos outros e servi´los melhor. Quando amamos de verdade, nos tornamos livres de fato, pois o amor nos liberta de nós mesmos e das coisas que nos amarram. O seu egoísmo é o seu tirano! É claro que amar não é fácil. É fácil viver as caricaturas do amor, mas o autêntico amor é exigente. A autenticidade do amor se verifica pela cruz.
Todo amor verdadeiro traz o sinal do sacrifício. E é através desse sinal que você identifica o verdadeiro amor e o falso. Não há amor sem renúncia. Depois que o pecado entrou em nossa história, amar tornou´se uma “imolação a si mesmo”, uma verdadeira crucificação própria. Mas os seus frutos são doces. Não foi isto que Jesus nos ensinou? Ele veio a nós para ensinar o amor. A sua lição foi esta: “Amai´vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Ele se apresentou como o “modelo” do verdadeiro amor. Não apenas Ele mandou amar, mas amar “como Eu vos amo”. E como Ele nos amou? Até à cruz! Antes de abraçá´la, Ele disse aos discípulos: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,12). Esta é a definição divina do amor: “dar a vida”. Isto não quer dizer que para você amar alguém, terá que morrer na cruz por ele, ou morrer de alguma outra forma. Isto significa que você deva “dar a sua vida” pelo outro, até a morte, isto é, o seu tempo, o seu dinheiro, a sua presença, etc. ..., e tudo isto desinteressadamente. Se houver uma “segunda intenção” em nosso amor por alguém, ele deixa imediatamente de ser puro, e morre. A grandeza do amor é a sua gratuidade. No “hino ao amor” (1Cor 13), São Paulo ensina que o “amor não busca o seu próprio interesse”. Este é o verdadeiro amor que sustenta o casamento e a família. O resto é caricatura do amor, miragens falsas e perigosas. Nada mais perigoso do que colocar o amor falsificado na base do casamento, pois ele não sustentará o lar. Todas as grandes obras realizadas neste mundo foram projetos de um amor verdadeiro.
Quando se planta amor, se colhe amor, ensinava São João da Cruz. Muitas vezes você pode ter reclamado de que não recebeu amor, mas será que você semeou amor ali naquele lugar? Se você amar gratuitamente, receberá tudo de volta. Se nos apegarmos ciosamente a nós mesmos e às criaturas, acabaremos perdendo tudo. O mesmo São João da Cruz ensina a “dar tudo pelo Tudo”. Quando aceitamos dar tudo, e não reter nada, o próprio Deus se dará a nós. Se você quiser experimentar a verdadeira felicidade, terá então que dar esse passo difícil, de correr o risco, da renúncia no vazio da noite, da caminhada em direção à morte do ego. E tudo isto dará a você a vida. É difícil se desvencilhar dos amores falsos, porque eles são “lucrativos” , trazem o prazer momentâneo e a satisfação para o ego, mas tudo isto passa rápido, e acaba deixando gosto de morte. Somos enganados e seduzidos pelos amores falsos exatamente pela recompensa imediata que eles nos oferecem. Mas é preciso que você saiba que as suas recompensas são efêmeras e se dissipam como bolhas de sabão. Quanto mais você souber dar´se mais saberá amar. E quanto mais você amar, mais feliz será.
Quando você se dá a alguém, total e gratuitamente, esta pessoa o enriquece, pois o amor faz crescer aquele que ama. Quando você ama alguém de verdade, descobre os tesouros desta pessoa e se enriquece com os talentos dela. E isto vai até o infinito... Alguém já disse que “o mundo pode ser salvo pela vitória do amor”. Mas este amor precisa ser autêntico, gratuito e desinteressado, porque o amor falso, as suas miragens (egoísmo, amor´próprio) só geram a tristeza, a decepção, o envelhecimento e o fracasso. Quando você ama de verdade, não só se abre para outro, mas se abre para Deus, pois “Deus é amor”. “Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito” (1Jo 7,12). “Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é amor” (1Jo 4,8). Para que o seu namoro seja rico é preciso basear´se neste amor que é doação de si mesmo para construir o outro. Se não houver amor, não haverá crescimento mútuo, e será tempo perdido. O seu namoro só terá sentido se for um aprendizado do autêntico amor. O amor tem muitas faces: a compreensão, a aceitação do outro, o perdão, a busca da verdade, a paciência, a sinceridade, a fidelidade, a bondade, o perdão, e tudo que faz o outro crescer.
Para você meditar:
ORAÇÃO DO SÉCULO XX
Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa comunicação Onde tantos enviam bombas e destruição, Que eu leve uma palavra de união ! Onde tantos procuram ser servidos, Que eu leve a alegria de servir ! Onde tantos fecham a mão para bater, Que eu abra meu coração para acolher ! Onde tantos adoram a máquina, Que eu saiba venerar o homem ! Onde tantos endeusam a técnica, Que eu saiba humanizar a pessoa ! Onde a vida perdeu os sentido, Que eu leve o sentido de viver ! Onde tantos me pedem um peixe, Que eu saiba ensinar a pescar ! Onde tantos me pedem um pão, Que eu saiba ensinar a plantar ! Onde tantos estão sempre distantes, Que eu seja alguém sempre presente ! Onde tantos sofrem de solidão que faz morrer, Que eu seja o amigo que faz viver ! Onde tantos morrem na matéria que passa, Que eu viva no espírito que fica ! Onde tantos olham para a terra, Que eu saiba olhar para o céu !
Namoro e sexo
Por que o namoro não é o tempo de viver a vida sexual? Qual o sentido do sexo ? O sexo tem duas dimensões, finalidades: unitiva e procriativa. Deus fez do casal humano “a nascente da vida”, disse o Papa Paulo VI; e assim deu ao homem a missão de gerar e educar os filhos. Nenhuma outra é mais nobre do que esta. Se é belo construir casas, carros, aviões ..., mais belo ainda é gerar é educar um ser humano, imagem e semelhança de Deus. Nada se compara à missão de ser pai e mãe. Um dia os computadores vão deixar de calcular, os carros de rodar, os aviões de voar... mas jamais o ser humano acabará, pois tem uma alma imortal. Na aurora da humanidade Deus disse ao casal: “multiplicai´vos”. “A dualidade dos sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem a imagem de Deus”, disse certa vez o Papa Paulo VI. É através da atividade sexual que o casal se multiplica e se une profundamente; isto é um desígnio de Deus. O ato sexual é o ato “fundante” da geração do filho, porque é por ele que a doação amorosa do casal acontece.
É por isso que a Igreja não aceita outra maneira de gerar a vida humana. Por outro lado, a relação sexual une o casal mais fortemente. Há muitas maneiras de se manifestar o amor: um gesto atencioso, uma palavra carinhosa, um presente, uma flor, um telefonema..., mas a mais forte manifestação de amor entre o casal, é o ato sexual. Ali cada um não apenas dá presentes ao outro, nem só palavras, mas se dá ao outro fisicamente e espiritualmente. Ora, você só pode entregar a sua intimidade profunda a alguém que o ama e que tem um compromisso de vida com você. Qual é a diferença entre o sexo no casamento, realizado com amor e por amor, e a prostituição? É o amor. Se você tirar o amor, o sexo se transforma em prostituição, comércio. Já chegaram até ao absurdo de querer legalizar a “profissão” de prostituta. Aquele que tem uma relação sexual com a prostituta está preocupado apenas com o prazer, e não tem qualquer compromisso com ela. Acabada a relação, paga e vai embora. Não importa se amanhã esta mulher está grávida, doente, ou passando fome, não lhe interessa, ele pagou pelo “serviço”. Veja, isto é sexo sem amor, sem compromisso de vida, sem uma aliança. É o desvirtuamento do sexo, a prostituição. No plano de Deus o sexo é diferente, é manifestação do amor conjugal; é uma verdadeira liturgia desse amor, cujo fruto será o filho do casal.
Na fusão dos corpos se celebra profundamente o amor de um pelo outro: a compreensão recíproca, a paciência exercida, o perdão dado, o diálogo mantido, as lágrimas derramadas... é a festa do amor conjugal. Por isso é o ato fundante da vida. O ato sexual vai muito além de um mero ato físico; a união dos corpos sinaliza a união dos corações e dos espíritos pelo amor. Não deveriam se unir fisicamente aqueles casais que não tivessem os corações unidos. É por causa disto que há tanto desastre na vida sexual de certos casais; unem os corpos sem unir as almas. Nesta “festa” do amor conjugal, o casal se une fortemente, e no ápice do seu prazer, Deus quis que o filho fosse gerado. Assim, ele não é apenas carne e sangue dos seus pais, mas amor do seu amor. É por isso que a Igreja ensina que o ato sexual, para não ser desvirtuado, deve sempre estar aberto à geração da vida, sem que isto seja impedido por meios artificiais. Ora, se o ato sexual gera a vida de um novo ser humano, ele precisa ser acolhido em um lar pelos seus pais. É um direito da criança que vem a este mundo. Nem o namoro, nem o noivado oferece ainda uma família sólida e estável para o filho. Não existe ainda um compromisso “ até que a morte os separe”. É por isso que o sexo não deve ser vivido no namoro e no noivado. Ao contrário do que acontece hoje comumente, a última entrega ao outro deveria ser a do próprio corpo, só depois que os corações e as vidas estivessem unidas e compromissadas por uma “aliança” definitiva. Se você apanhar e comer uma maçã ainda verde, ela vai fazer mal a você, e se estragará. Se você viver a vida sexual antes do casamento, você só terá problemas e não alegrias.
O sexo é belo e puro quando vivido segundo a lei de Deus; todos nós viemos ao mundo por ele. Se ele fosse sujo, a criança recém nascida não seria tão bela e inocente. O que deturpa o sexo é o seu uso antes ou fora do casamento. O livro do Gênesis assegura que ao criar todas as coisas Deus “viu que tudo era bom” (Gen. 1,25). Portanto, tudo o que Deus fez é belo, também o sexo. O mal, muitas vezes, consiste no uso mau das coisas boas. Por exemplo, uma faca é uma coisa boa; sem ela a cozinheira não faz o seu trabalho. Mas, se um criminoso usar a faca para tirar a vida de alguém, nem por isso a faca se torna má. Não. O mal é o uso errado que se fez dela. Da mesma forma o sexo é algo criado por Deus e maravilhoso. No plano de Deus a vida sexual só tem lugar no casamento. São Paulo há dois mil anos já ensinava aos Coríntios: “A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa” (1 Cor 7,4). O Apóstolo não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado, e nem que o corpo da noiva pertence ao noivo. A união sexual só tem sentido no casamento, porque só ali existe um “comprometimento” de vida conjugal, vida a dois, onde cada um assumiu um compromisso de fidelidade com o outro para sempre. Cada um é “responsável pelo outro” até a morte, em todas as circunstâncias fáceis e difíceis da vida.
Sem este “compromisso de vida” o ato sexual não tem sentido, e se torna vazio e perigoso. As conseqüências do sexo vivido fora do casamento são terríveis: mães e pais solteiros; filhos abandonados, ou criados pelos avós, ou em orfanatos. Muitos desses se tornam os “trombadinhas” e delinqüentes que cada vez mais enchem as nossas ruas, buscando nas drogas e no crime a compensação de suas dores. Quantos abortos são cometidos porque busca´se apenas egoisticamente o prazer do sexo, e depois elimina´se o fruto, a criança! Só no Brasil são 4 milhões por ano. Quatro milhões de crianças assassinadas pelos próprios pais! As doenças venéreas são outro flagelo do sexo fora do casamento. Ainda hoje convivemos com os horrores da sífilis, blenorragia, cancro, sem falar do flagelo moderno da AIDS. Por causa dessa desvalorização da vida sexual, e da sua vivência de modo irresponsável e sem compromisso, assistimos hoje esse triste espetáculo de milhões de meninas adolescentes de 12 a 15 anos, grávidas.
A nossa sociedade é perversa e irresponsável. Incita o jovem a viver o sexo de maneira precoce e sem compromissos, e depois fica apavorada com a tristeza das meninas grávidas. Isto é fruto da destruição da família, do chamado “amor livre”, e do comércio vergonhoso que se faz do sexo através da televisão, dos filmes eróticos, das revistas pornográficas e, agora, até através do telefone e da internet. Como não acontecer que milhões de jovens – quase meninas – fiquem grávidas? Quando se põe fogo na palha seca, é claro que ela queima ... E o que serão dessas crianças criadas por essas meninas, sem o pai ao lado, sem uma família que a acolha amanhã? Muitos jovens viciados no “crack” e nas drogas, assaltantes e ladrões, estão nesta vida porque faltaram´lhes os pais, faltou uma família. Veja jovem, quanta tristeza causa o sexo fora e antes do casamento. Quantos lares foram também destruídos por causa dos adultérios! Quantos filhos abandonados e carentes porque os pais viveram aventuras sexuais fora do casamento e se separaram! Não há hoje como negar que o triste espetáculo dos jovens carentes, abandonados, drogados, metidos na violência, no álcool e no crime, é fruto da destruição familiar, que acontece porque viveu´se o sexo fora do casamento. Quantos rapazes engravidaram a namorada, e tiveram de mudar totalmente o rumo de suas vidas! Às vezes são obrigados a deixar os estudos para trabalhar; vão morar na casa dos pais ... sem poderem constituir uma família como convém. Se você quiser formar uma família bem constituída, que lhe dê alegria e realização, então, “não passe o carro na frente dos bois”. A sua futura família começa a ser bem edificada no seu namoro, não vivendo nele a vida sexual para não estragar os seus alicerces. É preciso dizer aqui que a parte que mais sofre com a vida sexual fora de lugar, é a mulher. A jovem, na sua psicologia feminina, não esquece os menores detalhes da sua vida amorosa. Ela guarda a data do primeiro encontro, o primeiro presente, etc...; será que ela vai esquecer a primeira relação sexual? É claro que não! Esta primeira relação deve acontecer num ambiente preparado, na lua de mel, onde a segurança do casamento a sustenta.
A vida sexual de um casal não pode ser começada de qualquer jeito, às vezes dentro de um carro numa rua escura, ou mesmo num motel, que é um antro de prostituição. Além do mais, quando o namoro termina, as marcas que o sexo deixou ficam no corpo da mulher para sempre. Para o rapaz tudo é mais fácil. Então, como é que você quer exigir da sua namorada o seu corpo, se você não têm um compromisso de vida assumido com ela, para sempre. Não é justo e nem lícito exigir o corpo de uma mulher antes de colocar uma aliança ´–prova de amor e de fidelidade – na sua mão esquerda. O namoro é o tempo de conhecer o coração do outro, e não o seu corpo; é o momento de explorar a sua alma, e não o seu físico. Para tudo tem a hora certa, onde as coisas acontecem com equilíbrio e com as bênçãos de Deus. Espere a hora do casamento, e então você poderá viver a vida sexual por muitos anos e com a consciência em paz, certo de que você não vai complicar a sua vida, a da sua namorada, e nem mesmo a da criança inocente.
A melhor proposta para o namoro é uma vida de castidade, que é a melhor preparação para o casamento. Sem dúvida, um casal de namorados que souber aguardar a hora do casamento para viver a vida sexual, é um casal que exercitou o autocontrole das paixões e saberá ser fiel um ao outro na vida conjugal. Também os noivos não estão aptos ainda para a vida sexual. O Catecismo da Igreja diz que : “Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, uma aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus” (§ 2350). E ensina que a vida sexual é legítima e adequada aos esposos. “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido”. (CIC, 2362; GS, 49). Caro jovem, eu sei que esta proposta não é fácil, pois eu também passei por ela na minha juventude; mas eu quero dizer´lhe que é muito bela. Eu sei que o mundo lhe diz exatamente o contrário, pois ele não quer “entrar pela porta estreita” (Mt 7,14), mas que conduz à vida. Peço que você faça esta experiência: veja quais são as famílias bem constituídas, veja quais são os casamentos que estão estáveis, e verifique sob que bases eles foram construídos. Você verá que nasceram de casais de namorados que se respeitaram e não brincaram com a vida do outro.
Para você meditar: FILHO DE REI
Senhor, Não há esbanjamento na criação? Os frutos não compensam o desperdício das sementes. As fontes espalham excessos de água. O sol derrama dilúvios de luz. Que a tua magnanimidade Me ensine a grandeza de alma! Que a tua magnificência Me livre de ser pequenino! Que, vendo´te pródigo, generoso e bom, Eu dê sem contar, Sem medir, Como Filho de Rei, Como filho de Deus!
ESCOLHA
Usa com sabedoria teu poder de escolha. Escolhe amar ....... em vez de odiar. Escolhe rir ........ em vez de chorar. Escolhe criar ....... em vez de destruir. Escolhe perseverar ..... em vez de desistir. Escolhe louvar ....... em vez de difamar. Escolhe esconder ..... em vez de aparecer Escolhe elogiar ...... em vez de criticar. Escolhe aprender ...... em vez de ensinar. Escolhe curar ...... em vez de ferir. Escolhe dar ...... em vez de receber. Escolhe perdoar ....... em vez de condenar. Escolhe agir ....... em vez de desistir. Escolhe sofrer ......... em vez de brigar. Escolhe crescer ......... em vez de apodrecer. Escolhe calar ........ em vez de impor. Escolhe abençoar.... em vez de amaldiçoar Escolhe orar .......... em vez de desesperar. Escolhe morrer ....... em vez de matar. Escolhe crer .......... em vez de duvidar. Escolhe perder... ao invés de roubar. Escolhe chorar... em vez de ferir.
O QUE FAÇO SE NÃO ESTOU NAMORANDO?
INTRODUÇÃO:
Alguns jovens se inquietam quando não estão namorando, ficam perdidos, sem direção, como se tivessem perdido o domínio sobre sua vida. É importante saber, que muitas vezes ficar sozinho, pode trazer um grande bem para nosso crescimento interior.
Se sabemos que temos uma vocação para o matrimônio, o que fazer então, no tempo que não estou namorando?
Ou num termo bíblico "o enquanto esperamos despertar do sono de Adão", para encontrarmos o que Deus chamou de "...ajuda adequada..."podemos dar alguns passos que vão nos ajudar a crescer nesta etapa da vida, uma vez que a juventude nada mais é que um etapa entre a infância e a idade adulta, ou um caminho de maturação física e psíquica normal ao gênero humano.
O que vamos dar são pistas que não encerram em si as possibilidades de atividades juvenis pré namoro, mas nos ajudarão a descansar no Senhor:
• Procure Cultivar amizades:
Sair com a turma, encontrar pessoas, estabelecer contatos com rapazes e moças, enfim aumentar a comunicação com as pessoas, para que possamos desenvolver relacionamentos e possibilidades de atração firmadas não apenas no despertar físico natural entre jovens, mas também em conhecer o pensamento de cada um e seu crescimento espiritual, afetivo e psíquico.
• Procure Cuidar das coisas do Senhor Jesus:
Aproveitar para trabalharmos de forma mais intensa na vinha do Senhor. Conheço experiências em que os jovens consagram suas vidas por um ano ao Senhor, e neste período se dedicam ao serviço da evangelização e oração, sem namoros, apenas mostrando a Deus por atitudes independente da vocação Deus tem a primazia. Na minha vida e também de minha esposa esta experiência foi de extremo crescimento espiritual e pessoal, é tempo de nos ocuparmos em fazer cursos, dispormo nos a servir os mais necessitados, nas obras de caridade, em comunidades como voluntários, ou mesmo para um maior aprofundamento da vocação.
• Procure Cultivar uma vida saudável:
Com esportes, lazer junto com irmãos da caminhada, ou que não poluam nossa mente e coração.
Para descobrirmos a vontade de Deus, devemos procurar andar dentro do seu plano que já foi revelado pelas sagradas escrituras o que nos leva a uma primeira decisão; devemos conhecer a sagrada escritura, nos aprofundar a cada dia no conhecimento revelado pela tradição da igreja e nos evangelhos, de forma que não fiquemos perguntando para o Senhor aquilo que ele já revelou na história da salvação, é obvio que Deus também se revela a cada um de nós de forma particular mas sempre sem contradizer a sua revelação ampla dada na sagrada escritura, a esta revelação pessoal costumamos chamar de rehma, e a revelação imutável de logos.
Um rehma é dado quando em oração escutamos pela palavra de Deus, uma mensagem que nos fala ao coração que sentimos no nosso interior a confirmação de que realmente é Deus quem nos fala, para isto é fundamental que creiamos que o nosso Deus é um Deus vivo e que se relaciona conosco, que quer nos comunicar seu plano pessoal para nossas vidas, porém temos que admitir que existem alguns riscos, entre eles é que nestes assuntos que envolvem toda nossa vida emocional somos levados a lutar com sentimentos interiores, que podem nos levar a um engano, nestas condições o auxilio de alguém mais amadurecido na via espiritual pode nos ajudar, melhor ainda se for alguém que já está mais amadurecido psiquicamente, isto é, que já não passa por este mesmo tipo de conflito.
Sabemos também que Deus nunca revela seu plano de uma vez, mas vai revelando os na medida em que damos os passos de maneira que saibamos sempre que ele esta conosco, mas que dependamos sempre de estar aos seus pés se não quisermos andar fora de sua vontade. Estas questões de fé nos as vemos em todos os grandes homens e mulheres da bíblia, como Abraão, Moisés, Davi, Paulo, Pedro, etc....
É provável que Deus não revele sua vontade, seu plano pessoal aquele que não a quer cumprir sua vontade já revelada na sagrada escritura para todos os seus filhos. Lembramo nos que as promessas a Davi eram válidas se ele estivesse determinado a cumprir todas as leis, e a palavra dos profetas, isto é se queremos ouvir a Deus para assuntos pessoais devemos estar abertos a cumprir sua palavra dada a todos os filhos de Deus, e que somos chamados a viver pelo batismo e pela ação do Espirito Santo nas nossas vidas.
Algumas dicas importantes para nos orientar na busca de escutar a vontade de Deus sobre este assunto é:
• Rezarmos e pedirmos especificamente com objetividade e muita sinceridade.
• Através da palavra de Deus lida com fé e oração.
• Tendo paz no coração quanto ao que sentimos, ou ouvimos.
• Observando as circunstâncias.
• Ouvindo o conselho de outras pessoas que nos amem e amem a Deus, e que tenham sabedoria, adquirida pela palavra e pelo testemunho.
Também vale a pena ressaltar alguns cuidados nesta busca de escutar o Senhor, principalmente quando perdemos a paz interior:
• Não pensar que tudo o que queremos não é vontade de Deus, isto é uma distorção causada pela má experiência coma figura paterna em nossa vida.
• Não pensar que quando tudo esta indo bem é porque estamos na vontade de Deus, e não achar que quando as coisas vão mal é porque quando as coisas são, de Deus satanás transforma tudo em má experiência. Deus não é um homem, seus pensamentos não são como os nossos e as aparências nada tem a ver com o plano de amor de Deus.
• A desobediência deliberada pode impedir o retorno a vida na fé, pois o pecado mortal, aquele que deliberadamente cometemos sabendo que não é de acordo com o evangelho, nos priva da graça de Deus.
• Não devemos tomar decisões precipitadas nesta área, pois apesar de que o mundo de hoje nos oprime a que caminhemos na velocidade em que as informações chegam, e de que o desenvolvimento humano estar acelerado criando situações precoces, além de problemas precoces na área da sexualidade, não devemos perder a tranqüilidade, que nos proporcionará a paz para decidirmos sem pressa e mais acertadamente.
Fonte: www.familiasonline.com.br
Possuir-se para dar-se
Você já sabe que amar é dar-se ao outro integralmente, gratuitamente, para construí-lo. É a essência da vida a dois e o fermento que faz o casal crescer. Mas, para que você possa dar-se a alguém, livremente, você precisa possuir-se; ser senhor de si mesmo. As pessoas transformam o amor em egoísmo porque não têm o domínio de si mesmas, e não conseguem dar-se, mas apenas tomar e receber. A grande crise do homem moderno é que ele dominou o macrocosmo das estrelas e o microcosmo das bactérias e dos átomos, mas perdeu o domínio de si mesmo. Não é mais homem! O senhor do mundo perdeu o controle de si mesmo e geme sufocado sob o peso daquilo que ele criou com a beleza das suas mãos e da sua inteligência. É um escravo da matéria que domesticou! Podemos dizer que há uma desintegração do homem porque ele permitiu que a matéria tomasse a primazia do espírito sobre a sua vida. As descobertas e invenções da moderna tecnologia nos deixam extasiados, seja no campo da informática, da biotecnologia ou da medicina. No entanto, esse homem fantástico que dirige o universo, não consegue dirigir-se a si mesmo. Como conseqüência disso assistimos os tristes flagelos das guerras, da fome, da violência, etc., que ainda pesam dolorosamente sobre tantos.
Não há dúvida de que todos esses problemas já teriam sido resolvidos se o homem tivesse o domínio sobre si mesmo e permitisse que o amor guiasse os seus passos. Não falta comida para todos, não faltam recursos materiais e naturais para sanar os problemas atuais, o que falta é o homem devidamente construído; caminhando de pé, como Deus o fez. Como muito bem mostrou Michel Quoist, no seu belo livro “Construir o Homem e o Mundo” (Livraria Duas Cidades, 1976, SP, 26ª edição), o homem está escravizado pela própria matéria que ele domesticou, e seu espírito agoniza... O que será o homem sem a primazia do espírito? Um escravo, escravizado pela própria tecnologia que desenvolveu. Não é somente hoje que isto ocorre. Em proporções diferentes a História Universal mostra que as civilizações caíram (Roma, Grécia, Bizâncio,...) muito mais pelo próprio apodrecimento interior do que por causa das invasões exteriores. O inimigo externo vence quando o interior está corroído em vista da agonia do espírito sob a matéria. Todo o progresso atual é belo e necessário, mas é preciso resgatar o homem como Deus o quis. Quanto maior for o sucesso do homem, mais a sua espiritualidade precisará crescer para não sucumbir ou se deixar cegar pelo brilho das suas descobertas.
O Papa João Paulo II numa de suas primeiras encíclicas: “Redentor dos Homens”, mostrou bem claro que o homem hoje teme exatamente aquilo que ele criou com o gênio da sua inteligência e de suas mãos; e que isto ocorre porque colocou a técnica sobre a ética e a matéria sobre o espírito. A conseqüência disso tudo que foi dito acima, é a agonia do amor e a vitória do egoísmo e da morte. Sem ser senhor de si mesmo você não consegue dar-se, não consegue amar. Só consegue ser egoísta. É fácil constatar que hoje as piores doenças começam a ser do espírito, e não do corpo. Cresce o número de psiquiatras e psicólogos e alastra-se a depressão. São as conseqüências dos desequilíbrios de um mundo onde o amor agoniza, porque o homem abandonou Deus. Maravilhado com os seus feitos, o homem se adora como o seu próprio deus, e por isso deixa-se esmagar pela matéria. Eis a triste realidade hoje: o homem adora as coisas e a si mesmo no lugar de Deus, e inverte a escala dos valores. Então o amor morre. Para que você possa amar de verdade, como Deus quer, é preciso que você caminhe “de pé”, isto é, respeitando a primazia dos valores: em cima, o espírito; depois o racional; e abaixo o físico. Se o teu corpo domina o teu espírito, então você caminha de cabeça para baixo. Os três níveis são fundamentais para a vida, mas é imprescindível que a sua hierarquia seja respeitada, sob pena do homem se tornar um perigoso animal. É o corpo que assume o comando quando a sensibilidade é satisfeita sem restrições, ou quando o satisfazemos com todos os prazeres da comida, da bebida, do sexo, que ele exige. Você caminha de cabeça para baixo quando é o corpo que dá as ordens. Aí então vive-se como um verdadeiro animal, apenas para comer, beber, dormir e gozar os prazeres do sexo.
É o instinto que comanda, não a razão. Como uma pessoa dessa pode amar, como pode dar-se, renunciar a si mesmo, se o que importa é a satisfação do “seu” corpo? Quando o corpo impera, a razão enfraquece, o espírito agoniza, e o amor perece. Muitas vezes você pode estar andando de cabeça para baixo: ´ quando você capitula diante daquele prato saboroso, e come sem limite...; ´ quando você não consegue tirar o seu corpo da cama na hora certa, e deixa-o dormir à vontade...; ´ quando o prazer do sexo o faz perder a cabeça, e atirar-se a ele descontrolado; sem um compromisso; ´ quando você se atira aos prazeres de todas as formas. Você também pode deixar de caminhar de pé se é a sensibilidade que comanda os seus atos, e não o espírito. É claro que a sensibilidade é importantíssima; ela nos diferencia dos animais; mas não pode ser a imperatriz dos nossos atos. Não podemos ser conduzidos apenas pelo “sentir”. Se for assim você pode achar que uma pessoa está certa apenas porque lhe é simpática, ou muito amiga, e não porque, de fato, ela tem razão. Seu juízo será parcial e errado. Sua análise e seu julgamento serão conduzidos pelo sentimento e não pela razão. Você é escravo da sensibilidade se, por exemplo, ´ só aceita participar da missa celebrada por “aquele” padre que você aprecia; ou quando qualquer palavra de crítica o ofende, magoa, e deixa-o prostrado na fossa; ´ quando você só reza e só vai à missa quando “sente” vontade; ´ quando você fica derrotado porque ninguém notou os seus esforços e ninguém o elogiou; ´ quando você troca o sonho pela realidade; ´ quando não se aceita a si mesmo como você é; ´ quando você não estuda a matéria ministrada por aquele professor que não lhe é simpático.
Nestas situações, e muitas outras, você pode estar se “arrastando” ao invés de caminhar de pé, guiado pelo espírito. Isto só será possível quando o seu espírito, fortalecido pelo Espírito Santo, comandar a sensibilidade e o corpo. A sensibilidade é bela, é ela que faz você chorar diante da dor e do sofrimento do outro, mas ela precisa ser controlada pelo espírito. Um cavalo fogoso pode leva-lo muito longe se você tiver firme as suas rédeas; mas pode jogá-lo ao chão se não for dominado. Se você permitir que o corpo ou a sensibilidade assumam o comando dos seus atos, então você não estará em pé, e não estará preparado para amar como é preciso. Agora você está entendendo melhor porque não é fácil amar; e porque o amor ainda não comanda a vida na terra. Para amar é preciso possuir-se; e para possuir-se é preciso exercitar o amor. Por isso o namoro é uma bela escola de amor. Se você quiser ser uma pessoa de pé, faça-se sempre esta pergunta: o que me fez agir assim, ou decidir assim, ou reagir daquela forma ? Foram as exigências do seu corpo que falaram mais alto? Foi a sensibilidade que gritou mais alto e venceu? Foi o espírito, guiado pela inteligência, que predominou? É claro que por nossas próprias forças não poderemos caminhar de pé. Jesus avisou que “o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Portanto, você precisa da força de Deus para suportar a sua natureza enfraquecida pelo pecado original. Você pode caminhar de pé, com a graça de Deus, pois o grande Santo Agostinho experimentou na sua vida que “o que é impossível à natureza é possível à graça”. Não desanime e não se desespere, o Senhor o aguarda para ajudá-lo com a Sua força. Vá a Ele. Tenha a coragem de olhar-se de frente e aceitar a sua realidade atual. Em seguida peça ao Senhor que lhe dê a Sua graça para que você possa ser um rapaz ou uma moça “em pé”, apto para amar de verdade.
Para você meditar:
O GRANDE HOMEM
Mantém o seu modo de pensar independentemente da opinião pública. É tranqüilo, calmo, paciente. Não grita nem se desespera. Pensa com clarez, fala com inteligência, vive com simplicidade. É do futuro, e não do passado. Sempre tem tempo. Não despreza ser humano algum. Causa a impressão dos vastos silêncios da natureza testemunhados pelo céu. Não é vaidoso. Como não anda à cata de aplausos, jamais se ofende. Possui sempre mais do que julga merecer. Está sempre disposto a aprender, mesmo das crianças. Despreza a opinião própria tão logo verifique o seu erro. Traz dentro de si as antenas da verdade, que não lhe permite deixar-se inchar pelo louvor ou deprimir pela censura. Não obstante essa equanimidade, não é frio: Ama, sofre, compreende, sorri. O que você possui ´ dinheiro ou posição ´ nada significa para ele. Só lhe importa o que você é. Não respeita usos estabelecidos e venerados por espíritos mesquinhos. Respeita somente a verdade. Tem mente de homem e coração de menino. Conhece-se a si mesmo tal qual é, e conhece a Deus.
DO LIVRO ´NAMORO´ do Prof. Felipe Aquino
Fonte: www.cléofas.com.br